quarta-feira, 6 de julho de 2011

Notícias assustadoras!

Nestes últimos tempos houve meia dúzia de notícias que me preocuparam muito mais do que as nomeações de ministros e secretários de Estado. Passo a enumerar.
Notícia número 1 - Uma auditoria da Inspecção-Geral das Finanças às despesas da Justiça detectou 165 mil euros de pagamentos em excesso de subsídio de compensação a magistrados jubilados já falecidos. Faltou a comunicação do óbito pelo Instituto de Registo e Notariado.
Notícia número 2 - O presidente da Câmara Municipal de Grândola, Carlos Beato, do PS, nomeou o seu filho para o cargo de adjunto do seu gabinete de apoio pessoal, decisão que qualifica como "consciente e responsável".
Notícia número 3 - Hospitais e centros de saúde da região de Lisboa enviam sistematicamente doentes para o Hospital da Cruz Vermelha antes de verificarem se outras unidades do sector público são capazes de dar as consultas e cirurgias em causa. O Tribunal de Contas acusa o Ministério da Saúde, que deu ordens para que assim se fizesse, de favorecer os privados e de prejudicar o Estado, que deixa de cobrar taxas moderadoras.
Notícia número 4 - O Ministério Público prepara uma acusação por suspeita de crimes e burlas fiscais na sequência da fusão da Compal com a Sumolis. Em causa está um imposto de 1,5 milhões de euros e uma dívida atribuída à Compal de 250 milhões, resultante do empréstimo que serviu para a compra desta pela Sumolis. Ao meter essa dívida nas contas da Compal, a empresa passou de lucros a prejuízos e deixou de pagar IRC. São arguidos administradores da empresa e da Caixa Geral de Depósitos.
Notícia número 5 - A Inspecção--Geral de Finanças (IGF) acusa o Exército de reposicionamento ilegal de militares e de ter assim aumentado em 8,4 milhões de euros a sua despesa pública anual. No entretanto, os salários dos militares custam, ao contribuinte, mais 2,6 milhões de euros por mês.
Notícia número 6 - A Polícia Judiciária está a investigar uma burla com receitas falsas de medicamentos prescritos por médicos e dentistas, que utilizaram as cédulas de colegas falecidos para pedirem vinhetas e passarem receitas. Foram detectados casos em que o doente, a quem foi prescrita a receita, também já tinha falecido.
Este seria algum do melhor material humano do País: magistrados, autarcas, gestores de saúde, banqueiros, grandes empresários, militares, médicos. Todos, mas mesmo todos, espoliam, enganam ou roubam descaradamente o Estado. Como podem Passos Coelho, este Governo, qualquer Governo, qualquer ministro ou secretário de Estado, sair-se bem na governação deste país?

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Visita a um covil de ladrões!

A maioria dos portugueses considera o Estado como um covil de ladrões. Já aqui o disse mas agora vem mais a propósito. Isso é o ADN duma cultura sem consciência política. Mas, por «Estado», entende o elenco governativo. E não é por falta de instrução como, há 40 anos, os citadinos acusavam os meios populares. Até constatamos que, quanto mais instrução, mais cumplicidade com os corruptos e ladrões públicos. A instrução até serve de justificação para a corrupção.
Essa é a razão da forte abstenção eleitoral (mais de 41% a nível nacional, mais de 50% em certas regiões). A maioria não tem opções políticas; só se exprime para «pôr lá» um chefe. Os partidos pequenos (com quem até diz simpatizar) «não têm hipóteses» (não votam neles); enquanto os grandes «são todos iguais» e abstêm-se.(eleger os ladrões?). O Chefe do Estado disse solenemente (imagine-se!) que os abstencionistas «não terão autoridade para criticar as políticas públicas». Olhe que têm! Garantido pela Democracia. Ele é, aliás, um dos principais responsáveis pela abstenção crónica porque bateu o recorde de anos como primeiro-ministro (a abstenção começou com ele) e, agora, é o primeiro político do País. Quanto mais alto, mais responsável. Não acuse os pobres-diabos pelo descrédito do sistema.
Os governantes de Portugal sempre se notabilizaram por descobrir maneiras de «viver à custa». No passado era das colónias. Nos anos 60-80 foi das «remessas dos emigrantes»; depois, foi do ouro que Salazar tinha acumulado; depois passaram a viver da CEE, aceitando ser pagos para destruir a agricultura, as pescas e a indústria naval, genuínos meios de produção económica auto-subsistente. Até que os credores lhes cortaram as vazas. Hoje estão à rasca. Não sabem como pagar as suas extravagâncias públicas, as suas fachadas, os seus currículos de ministros e de autarcas presunçosos que «fizeram obra» à custa do alheio, literalmente, a crédito. Depois de 30 anos de regabofe, os credores fizeram-lhes, como se diz, o manguito («Queres fiado? Toma! Paga primeiro o que deves»). Ficaram sem crédito nas praças do mundo. Até se batem por governar às ordens dos credores estrangeiros. O povo que pague a crise.
Enquanto os estratos de agricultores, de pescadores e de artesãos familiares (que produziam em família) eram maioritários, esta complacência com o parasitismo de Estado era apanágio das classes urbanas, minoritárias. Com a ascensão daqueles estratos à «classe média» urbana, assalariada ou empresarial, passou a ser uma norma dominante, maioritária. Mas, apesar da instrução, por «dinheiros públicos» continua a entender-se «dinheiros de ninguém» ou, como no passado, «dinheiros da coroa» (dos usurários da realeza), portanto, susceptíveis de ser pilhados pelos «espertos». Com a anuência dos tribunais. O povoléu dum supermercado pode barrar a passagem a um ladrão de yogurtes mas bajula os ladrões dos «dinheiros públicos». Há, assim, continuidade nas mentalidades. Até podíamos dizer que houve mudança para pior, para a generalização dos valores maus.
O critério para o povo eleger um candidato pode ser a sua esperteza para roubar os bens públicos. Basta que ele se apresente escorreito e rodeado de uma cáfila de assessores. «Elas até correm para beijar quem lhes tirou o abono de família», ouvi de um reformado na Marinha Grande, referindo-se ao (abominável) Sócrates, um verdadeiro chefe de quadrilha (entenda-se por «quadrilha» o que se quiser) apoiado por uma massa de lorpas que tomam os críticos do sistema como incapazes para a trafulhice.
O Público de 5 de Junho publicou esta notícia: «Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, em 18 meses, fez 13 visitas a offshores para fazer acordos», levando consigo sucessivas e largas comitivas de gente que o governante não quis justificar. Eu, que sou leigo em Finanças (como Jesus Cristo, segundo Fernando Pessoa), não imaginava que um governo visitasse offshores que são os ladrões dos impostos... O que me veio à mente foi: «visita de Estado a um covil de ladrões». Que tipo de acordo faz o Governo com os ladrões de impostos? Visita de cortesia ou de negócios? As comitivas foram lá fazer o quê? Uma visita guiada? Ou foram abrir uma conta... na fonte?
É legítimo desconfiar de tudo com estes ministros do (abominável) Sócrates. Manuela Ferreira-Leite até disse que nem na oposição o quer ver. Mas vamos ver outros. Eles reproduzem-se como a sarna.
By Moisés Espírito Santo
In Jornal de Leiria

terça-feira, 31 de maio de 2011

Afinal não é modernice nenhuma!

“ORDINARIAMENTE todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas. Porém, são nulos a resolver crises. Não têm a austeridade, nem a concepção nem o instinto político, nem a experiência que faz o ESTADISTA. É assim que há muito tempo em Portugal são regidos os destinos políticos. Política de acaso, política de compadrio, política de expediente. País governado ao acaso, governado por vaidades e por interesses, por especulação e por corrupção, por privilégio e influência de camarilha, será possível conservar a sua independência?”

In «O Distrito de Évora» de Eça de Queiroz (1867)

sábado, 14 de maio de 2011

Com ou sem sal?

Adivinha do dia
0 - Tem um processo em curso de investigação
1 - Negou coisas que o seu chefe disse
2 - Esteve muito ligado a um grande partido
3 - Sabe fazer umas cantarolas
4 - Também sabe jogar golfe
5 - Desde há uns meses nunca mais se ouviu falar dele
· De quem falamos ????

Dias Loureiro, está claro!

A viver actualmente à grande e à fartazana em Cabo Verde.
É o dono do maior Resort Turístico da Ilha do Sal... ( ... é aquela ilha, daquele país africano onde o BPN criou umas "sucursais" e um banco mais ou menos virtual, com que se faziam umas operações de lavagem e fugas ao fisco, etc.etc... )
PS: Alguém dá por ele na nossa imprensa? O que nos leva a pensar tal esquecimento..?
Como vêem é fácil fazer esquecer um roubo superior a mais de 4 mil milhões de euros, quando se tem amigos...por todo o lado... Até em Belém!

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Os maus exemplos!

Recebi por e.mail esta informação que, como é lógico, não consigo saber se é falsa ou verdadeira. Mesmo assim e como medida de precaução mais vale dar-lhe alguma publicidade. Se for mentira não fará grande mal a ninguém, mas se for verdade dará para apontar o dedo a alguns dos larápios que têm andado a brincar com o nosso rico dinheirinho. E isso é "muito" importante nesta conjuntura que atravessamos em Portugal.

1. ADMINISTRAÇÃO REGIONAL DE SAÚDE DO ALENTEJO, I. P.
Aquisição de 1 armário persiana; 2 mesas de computador; 3 cadeiras c/rodízios, braços e costas altas: 97.560,00€
Eu não sei a quanto está o metro cúbico de material de escritório mas ou estes armários/mesas/cadeiras são de ouro sólido ou então não estou a ver onde é que 6 peças de mobiliário de escritório custam quase 100 000€. 
Alguém me elucida sobre esta questão?

2. MATOSINHOS HABIT - MH
Reparação de porta de entrada do edifício: 142.320,00 €
Alguém sabe de que é feita esta porta que custa mais do que uma casa?

3. UNIVERSIDADE DO ALGARVE - ESC. SUP. TECNOLOGIA - PROJECTO TEMPUS 
Viagem aérea Faro/Zagreb e regresso a Faro, para 1 pessoa no período de 3 a 6 de Dezembro de 2008: 33.745,00 €
Segundo o site da TAP a viagem mais cara que se encontra entre Faro-Zagreb-Faro em classe executiva é de cerca de 1700€. Dá uma pequena diferença de 32 000 €, Como é que é possível???

4. MUNICÍPIO DE LAGOA
6 Kit de mala Piaggio Fly para as motorizadas do sector de águas: 106.596,00 €
Pelo vistos fazer um "Pimp My Ride" nas motorizadas do Município de Lagoa fica carote!!!

5. MUNICÍPIO DE ÍLHAVO 
Fornecimento de 3 Computadores, 1 impressora de talões, 9 fones, 2 leitores ópticos: 380.666,00 €
Estes computadores devem ser mesmo especiais para terem custado cerca de 100 000€ cada....Já para não falar nos restantes acessórios.

6. MUNICÍPIO DE LAGOA
Aquisição de fardamento para a fiscalização municipal: 391.970,00€
Eu não sei o que a Polícia Municipal de Lagoa veste, mas pelos vistos deve ser Haute-Couture.

7. CÂMARA MUNICIPAL DE LOURES 
VINHO TINTO E BRANCO: 652.300,00 €
Alguém me explica porque é que a Câmara Municipal de Loures precisa de mais de meio milhão de Euros em Vinho Tinto e Branco????

8. MUNICIPIO DE VALE DE CAMBRA 
AQUISIÇÃO DE VIATURA LIGEIRO DE MERCADORIAS: 1.236.000,00 €
Neste contrato ficamos a saber que uma viatura ligeira de mercadorias da Renault custa cerca de 1 milhão de Euros. Impressionante...

9. CÂMARA MUNICIPAL DE SINES 
Aluguer de tenda para inauguração do Museu do Castelo de Sines: 1.236.500,00 €
É interessante perceber que uma tenda custa mais ou menos o mesmo que um ligeiro de mercadorias da Renault e muito mais que uma boa casa... E eu que estava a ser tão injusto com o município de Vale de Cambra...

10. MUNICIPIO DE VALE DE CAMBRA 
AQUISIÇÃO DE VIATURA DE 16 LUGARES PARA TRANSPORTE DE CRIANÇAS: 2.922.000,00 €
E mais uma pérola do Município de Vale de Cambra: uma viatura de 16 lugares para transportar crianças custa cerca de 3 milhões de Euros. Upsss, outra vez o município de Vale de Cambra...

11. MUNICÍPIO DE BEJA 
Fornecimento de 1 fotocopiadora, "Multifuncional do tipo IRC3080I", para a Divisão de Obras Municipais: 6.572.983,00 €
Este contrato público é um dos mais vergonhosos que se encontra neste site. Uma fotocopiadora que custa normalmente 7,698.42€ foi comprada por mais de 6,5 milhões de Euros. E ninguém vai preso por porcarias como esta?

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Carta aos senhores da troika!

Caros senhores da troika

Começo por me apresentar, sou um daqueles que estão sempre na linha da frente quando se enfrenta a austeridade, já me cortaram no vencimento, em tudo o que era direitos e regalias, no vencimento, tudo isso apesar de não ter gasto acima das possibilidades, de nunca ter recebido subsídios, de nunca ter exercido quaisquer cargos com remunerações vantajosas e de sempre ter cumprido com as minhas obrigações fiscais.
Eu sei que têm recebido algumas cartas, pelo menos devem ter recebido as do Eduardo Catroga pois eu também a recebi através da comunicação social, muito provavelmente até as terei recebido antes dos senhores pois em Portugal o correio funciona assim, é como as peças dos processos de investigação criminal, chegam primeiro à Felícia Cabrita do que ao juiz. Mas duvido que essas cartas lhes tenham contado algumas coisas sobre este país, não vão os senhores lembrarem-se de lhes cortar a direito e não apenas aos do costume.
Não lhes devem ter dito, por exemplo, que neste país anda muita gente a fugir aos impostos graças aos truques legais que inventaram para serem os próprios a beneficiar. Dou-lhes um exemplo, imaginem que há um conhecido advogado da praça cujo grande escritório é património da sua fundação, desta forma quando os advogados pagam a renda não o fazem como seria de supor, em vez disso dão um donativo à fundação que depois é declarado para efeitos de IRS.
Imaginem os senhores, e espero que estejam sentados, andam por aí uns senhores com estatuto de economistas, provavelmente já terão ouvido os seus conselhos, que são pensionistas desde "tenra" idade e acumulam as pensões com vencimentos do Estado. Podem não acreditar, mas um dos mais ferrenhos defensores das vossas exigências recebe uma pensão de oito mil euros desde os quarenta e nove anos por ter trabalhado apenas seis anos. Não acreditam? Compreendo, parece impossível, mas a verdade é que se esse senhor viver até aos oitenta o país dar-lhe-á uma pensão durante trinta e um anos por conta de seis de descontos! Dantes, quem ia para a guerra recebia um pequeno bónus na idade de reforma, este viveu meia dúzia de anos num gabinete de luxo e vive o resto da vida à custa da riqueza do país e ainda se acha com autoridade moral para andar por aí a dar conselhos ao país.
Mas se acham que este país não é ilógico e, pior do que isso, mistura a falta de lógica com o oportunismo desabrido, perguntem a um tal Catroga que representa o PSD nas negociações mas mais parece o tutor do presidente do PSD designado pelo Presidente da República o que é isso de ter sido "contratado, por conveniência de serviço, em regime de contrato administrativo de provimento, para o exercício das funções de Professor Catedrático Convidado, a tempo parcial 0%”. Não acreditam que um senhor reformado da SAPEC é contratado a tempo 0%? Então sentem-se, fiquem a saber que foi contratado por um conselheiro económico do PSD com despacho de 26 de Maio de 2010 que produz efeitos a partir de ... 1 de Setembro de 2008. Acreditem, este país é mesmo de doidos, doidos mas não parvos. Já agora perguntem a esse senhor como se processou a privatização do BPA quando ele era ministro das Finanças, vão ficar a conhecer melhor este país e a perceber porque anda tanta gente a exigir privatizações, é o ver se te avias...
E o que se passa nas autarquias, meus caros senhores? Arranjam sociedades municipais para os autarcas aumentarem os rendimentos, alguns até conseguem acumular a responsabilidade como autarcas de grandes cidades coma gestão de grandes empresas municipais, como é o caso do autarca do Porto que também administra o Metro do Porto, e ainda aparece como a grande reserva moral da nação. E a propósito deste tenham cuidado com o que vos dizem sobre obras como o TGV, são contra quando estão em Lisboa e a favor quando regressam à terra. Vão ver como algumas autarquias gastam dinheiro e depois contem-me!
Estranharam tantas viaturas de luxo a circular pela capital? Não há razões para isso, com as assimetrias na distribuição de rendimento a pouca riqueza deste país dá para enriquecer alguns à grande e à francesa, criou-se em Portugal uma elite de proxenetas, gente que de manhã são advogados, à tarde políticos e à noite jornalistas. Servem-se do estatuto de advogados para encobrirem as suas acções de corrupção ou de gestão de influências, são políticos para criarem novas oportunidades de negócios para si próprios e armam-se em jornalistas para convencerem o povo a votarem naqueles que lhes asseguram novos negócios, tornando o poder refém dos seus interesses.
Pois é meus senhores, os grandes agregados económicos enganam muito, dizem que há uma alta carga fiscal mas alguns não pagam impostos, que a produtividade é baixa mas os que mais enriquecem são os que menos trabalham, que o país viveu acoima das suas possibilidades mas foi a elite de proxenetas que mais carros e outros bens de luxo importou, que a idade de reforma deve aumentar mas muitos deles são pensionistas do parlamento, do BdP e de outros esquemas montados para saquear o país. A grande mentira deste pobre país não está nas contas públicas, a grande mentira está no facto de serem os que mais contribuem para a riqueza deste país e que menos a partilham que são sempre acusados de terem gasto em demasia.
Por tudo isto e muito mais espero meus senhores que desta vez seja diferente, que não se deixem enganar e façam as elites de proxenetas pagar pelo que têm feito a este pobre país, obriguem-nos a rever as pensões como a do Cunha, ponham fim aos esquemas mafiosos das fundações privadas, obriguem-nos a extinguir os milhares de empresas municipais, fundações e outros esquemas montados para roubar o país, aumentem os impostos sobre os mais ricos, acabem com a zona franca da Madeira. É tempo de também serem eles a pagar.

Augusto H Santos

sábado, 2 de abril de 2011

Geração à-rasca!

A geração dos meus pais não foi uma geração à rasca. Foi uma geração com capacidade para se desenrascar. Numa terriola do Minho as condições de vida não eram as melhores. Mas o meu pai António não ficou de braços cruzados à espera do Estado ou de quem quer que fosse para se desenrascar. Veio para Lisboa, aos 14 anos, onde um seu irmão, um pouco mais velho, o Artur, já se encontrava. Mais tarde veio o Joaquim, o irmão mais novo. Apenas sabendo tratar da terra e do pastoreio, perdidos na grande e desconhecida Lisboa, lançaram-se à vida. Porque recusaram ser uma geração à rasca fizeram uma coisa muito simples. Foram trabalhar.. 
Não havia condições para fazerem o que sabiam e gostavam. Não ficaram à espera. Foram taberneiros. Foram carvoeiros. Fizeram milhares de bolas de carvão e serviram milhares de copos de vinho ao balcão. Foram simples empregados de tasca. Mas pouparam. E quando surgiu a oportunidade estabeleceram-se como comerciantes no ramo. Cada um à sua maneira foram-se desenrascando. Porque sempre assumiram as suas vidas pelas suas próprias mãos. Porque sempre acreditaram neles próprios. E nós, eu e os meus primos, nunca passámos por necessidades básicas. Nós, eu e os meus primos, sempre tivemos a possibilidade de acesso ao ensino e à formação como ferramentas para o futuro. Uns aproveitaram melhor, outros nem tanto, mas todos tiveram as condições que necessitaram. E é este o exemplo de vida que, ainda hoje, com 60 anos, me norteia e me conduz. 
Salvaguardadas as diferenças dos tempos mantenho este espírito. Não preciso das ajudas do Estado. Porque o meu pai e tios também não precisaram e desenrascaram-se. Não preciso das ajudas da família que também têm as suas próprias vidas. Não preciso das ajudas dos vizinhos e amigos. Porque o meu pai e tios também não precisaram e desenrascaram-se. Preciso de mim. Só de mim. E, por isso, não sou, nunca fui, de qualquer geração à rasca. Porque me desenrasco. Porque sempre me desenrasquei. 
O mal desta auto-intitulada geração à rasca é a incapacidade que revelam. Habituados, mal habituados, a terem tudo de mão beijada. Habituados, mal habituados, a não precisarem de lutar por nada porque tudo lhes foi sendo oferecido. Habituados, mal habituados, a pensarem que lhes bastaria um canudo de um qualquer curso dito superior para terem garantida a eterna e fácil prosperidade, sentem-se desiludidos. 
E a culpa desta desilusão é dos "papás" que os convenceram que a vida é um mar de rosas. Mas não é. É altura de aprenderem a ser humildes. É altura de fazerem opções. Podem ser "encanudados" de qualquer curso mas não encontram emprego "digno". Podem ser "encanudados" de qualquer curso mas não conseguem ganhar o dinheiro que possa sustentar, de imediato, a vida que os acostumaram a pensar ser facilmente conseguida.Experimentem dar tempo ao tempo, e entretanto, deitem a mão a qualquer coisa. Mexam-se. Trabalhem. Ganhem dinheiro. 
Na loja do Shopping. Porque não ? Aaaahhh porque é Doutor... Doutor em loja de Shopping não dá status social. Pois não. Mas dá algum dinheiro. E logo chegará o tempo em que irão encontrar o tal e ambicionado emprego "digno". O tal que dá status. 
O meu pai e tios fizeram bolas de carvão e venderam copos de vinho. Eu, que sou Informático, System Engineer, em alturas de aperto, vendi bolos, calças de ganga, trabalhei em cafés, etc. E garanto-vos que sou hoje muito melhor e mais reconhecido socialmente do que se sempre tivesse tido a papinha toda feita. 
Geração à rasca ? Vão trabalhar que isso passa. 
À rasca, mesmo à rasca, também já tenho estado. Mas vou à casa de banho e passa-me.
Por: Filipe Oliveira

terça-feira, 29 de março de 2011

Pensamentos profundos!

QUANDO OS:

SÓCRATES FOREM APENAS FILÓSOFOS
ALEGRES APENAS CRIANÇAS
CAVACOS APENAS INSTRUMENTOS MUSICAIS
PASSOS APENAS OS DE DANÇA
LOUÇÃS APENAS ERROS ORTOGRÁFICOS
JERÓNIMOS APENAS MONUMENTOS NACIONAIS
E
PORTAS SÓ DE ABRIR E FECHAR...

ENTÃO NÓS VOLTAREMOS A SER FELIZES!

sábado, 12 de março de 2011

Memória Curta!

Extracto do Art. 1º da O.S. Nº 27 de 26 de Março de 1962 
Artigo 1º – DETERMINAÇÃO: 
Os funcionários subalternos da Polícia Judiciária, com o seu vencimento estabelecido dentro dos quadros do Funcionalismo Público, não podem aspirar a um nível económico que vá, normalmente, para além da satisfação das suas necessidades vitais quotidianas. Deste modo, não ganham em regra o bastante para aquisição, por compra ou troca, e manutenção de uma viatura automóvel. O facto dessa aquisição pode dar lugar a suspeitas e especulações no espírito público, dirigidas contra o aprumo e dignidade que o funcionário deseja, briosamente, defender. Por isso, determino, ouvido o Conselho de Polícia e na defesa do bom nome e reputação do funcionário e, reflexamente, do prestígio da Corporação, que a aquisição de automóveis por parte de qualquer daqueles funcionários, feita em seu nome, no de seu cônjuge ou outra qualquer pessoa, fique sujeita a prévia comunicação ao Director, com indicação das fontes de vencimentos que lhe permitam a aquisição e manutenção do veículo.